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Encontro da Educação de Surdos

Caraguatatuba realiza encontro dedicado à educação de surdos. Confira as discussões sobre inclusão, metodologias e oportunidades para a comunidade surda

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Prefeitura de Caraguatatuba 24/09/2026
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Prefeitura de Caraguá

Elos celebra Libras e coloca histórias da comunidade surda no centro do encontro

Houve momentos em que as mãos disseram tudo. Em outros, foram as histórias de quem aprendeu desde cedo a enfrentar barreiras de comunicação que emocionaram o público. Assim foi a primeira edição do Elos – Encontro da Educação de Surdos, realizada na noite de quarta-feira (23), no Teatro Mário Covas, em Caraguatatuba.

Promovido pela Secretaria Municipal de Educação, o evento integrou as ações do Setembro Surdo e colocou no centro da programação aquilo que o próprio nome propõe: conexão. Entre Libras, escola, família e comunidade, o Elos abriu espaço para diálogo, cultura, troca de experiências e, principalmente, para que estudantes surdos fossem protagonistas de suas próprias histórias.

A proposta de inclusão começou pela própria organização. Toda a programação contou com tradução simultânea em Língua Portuguesa, na modalidade oral, realizada por profissionais da Secretaria de Educação, permitindo que a comunidade ouvinte acompanhasse um encontro conduzido e pensado com a Libras em evidência.

A coordenadora de Educação Especial e Inclusiva da Secretaria de Educação, a fonoaudióloga Carla Vasconcelos, explicou que o nome Elos traduz o que a rede pretende fortalecer. “É essa conexão entre as pessoas, a escola e a sociedade. Nosso trabalho é incluir e criar caminhos para que cada pessoa possa participar, se comunicar e, acima de tudo, pertencer”, destacou. A docente lembrou ainda que Caraguatatuba é finalista do Prêmio AMVale Unitau de Gestão Responsável 2026 com o trabalho desenvolvido na educação bilíngue.

A secretária de Educação, Roseli Morilla, também se dirigiu ao público com uma saudação em Libras. “É uma noite muito especial, fruto de muito planejamento. Que seja o primeiro de muitos encontros, que possamos estar sempre inovando e que tenhamos muita troca de experiências e conhecimento”, afirmou.

Os estudantes logo mostraram, na prática, o significado desse protagonismo. Alunos surdos do 1º ao 5º ano da EMEFEBS Prof. Ricardo Luques Sammarco Serra apresentaram uma adaptação teatral do livro “O Rato Roeu a Roupa”, de Ana Maria Machado. Na sequência, um vídeo produzido pela Secretaria de Educação sobre a Educação de Surdos na rede municipal levou parte do público às lágrimas.

A professora Aline Souza trouxe para a palestra a experiência de quem conhece os dois lados da sala de aula. Ela nasceu ouvinte, perdeu a audição ainda criança e conheceu a Libras aos 3 anos. Contou as dificuldades enfrentadas em uma escola sem intérprete e a mudança que ocorreu em sua vida quando passou a estudar em uma unidade preparada para recebê-la. Anos depois, escolheu justamente a Educação como profissão.

Ao compartilhar experiências como aluna e professora, Aline falou sobre as diferentes identidades dentro da comunidade surda e reforçou que não existe uma única vivência da surdez. Para Aline, ensinar um estudante surdo começa pelo respeito à Libras. A educadora também apresentou exemplos de como situações do cotidiano podem ajudar na construção de conceitos e tornar o aprendizado mais próximo da realidade dos alunos.

A programação teve ainda o “Pequeno Manual da Cultura Surda”, apresentado por estudantes da EMEF Prof. Auracy Mansano, e a interpretação em Libras da música “Meu Abrigo”, com alunos do curso de Libras da Secretaria de Educação.

Um dos momentos mais emocionantes veio no bate-papo com Brayan e Davi, estudantes do 9º ano que encerram um ciclo iniciado ainda no 1º ano do Ensino Fundamental. Brayan falou sobre a adaptação à escola, os vínculos construídos e o desafio de seguir para o Ensino Médio. Davi lembrou os nove anos vividos na unidade e falou com orgulho sobre ter se tornado referência para outros estudantes surdos que estão começando essa trajetória.

“Eu tenho implante, sou oralizado, mas a Libras é a minha língua, é onde me sinto confortável. Isso precisa ser respeitado, porque cada surdo tem sua identidade. O mais importante é a comunicação acontecer”, resumiu Davi.

O prefeito Mateus Silva falou da emoção provocada pelos relatos. “Foi um evento incrível, que toca a gente. Fico muito feliz pela oportunidade de conviver, ainda que um pouco, com vocês. Que continuem com essa garra e determinação na trajetória e tenham muito sucesso”, disse.

A primeira edição do Elos terminou deixando uma mensagem que atravessou toda a noite: inclusão vai além de estar no mesmo espaço. É poder se comunicar, participar, ser compreendido e pertencer.

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